domingo, janeiro 27, 2008

A criança de cinco anos






Lembrando que esse estudo refere-se as idades, mas não tem a pretensão de "encaixar" as crianças em nenhuma dela. O tempo de maturidade nem sempre corresponde ao cronológico.






Bibliografia: GESELL, Arnold. A criança dos 5 aos 10 anos. Publicações Dom Quixote. Editora Império. Lisboa/Portugual. 1977.





A fase dos cinco anos é uma fase também chamada de período nodal, no qual todas as linhas convergem para se organizarem para uma nova arrancada, que começará mais ou menos aos cinco anos e meio. Esse é um período de assimilação e organização do desenvolvimento, que é comparável, na infância, ao dos 28 dias, dos 3 anos e dos 10 anos. Já as idades de 4, 6 e 8 anos, são períodos de impulsos de fermentação e expansão do desenvolvimento. Todos esses períodos são facilmente observados, mas no que condiz ao equilíbrio dos mesmos com as faixas etárias, podemos considerá-los matizes do desenvolvimento, pois eles se mesclam entre elas. Só podemos apreciar inteiramente a psicologia da criança se pensarmos nela como uma unidade total, como sujeito, se a separarmos por partes, por idades, ela apaga-se, deixa de ser pessoa.
A criança de cinco anos já dá sinais do homem ou da mulher que será. Suas capacidades, dons, qualidades e maneira própria de enfrentar as exigências do desenvolvimento já aparecem de forma clara, pois ela já tem marcada a sua individualidade.



Contenta-se em organizar as experiências que colheu um tanto ao acaso e sem grande reflexão durante seus 4 anos. Precisa de tempo para consolidar seus ganhos, antes de lançar-se a outras explorações. Mas ainda questiona sobre o que não conhece, “Para que é isto?”, “Do que isto é feito?”, “Como é que isso funciona?”. Penso que esse é um movimento pendular muito sábio, o de ter hora de viver e hora de pensar a vida. Pena que esquecemos disso quando crescemos e vamos indo num eterno “só fazer”. Pior ainda são os adultos professores que acabam se esquecendo, ou desconhecem essas fases de desenvolvimento humano e tentam levar os estudantes junto na sua “rodinha de hamster”.



É comedida, vive em termos a mais amigáveis e familiares com o seu ambiente, sendo de certo modo, uma criança caseira. Vê o lar como uma instituição complexa que solicita e recompensa a sua atenção. Passa horas brincando de casinha, de situações domésticas, pois sente necessidade de tornar mais familiar o que já lhe é, uma vez que esse mundo ainda lhe é novidade.
Sente prazer ao ouvir sua mãe lhe contar histórias de quando era criança, fala com irmãos menores em linguagem de bebê. Isso a ajuda a libertar-se da infância e identificar-se mais com o ambiente atualmente imediato.



O mundo dessa criança é o mundo do aqui-e-agora, com o universo centrado na mãe. Apega-se a tudo o que é seu, sua cadeira, sua sala, seus amigos, seu brinquedo preferido e sua professora. Tem dificuldade em tolerar a escola, pois está no seu período de “ruminação” e não tem vontade de enfrentar o desconhecido. Mostra intolerância ao excesso do maravilhoso e por contos de fadas em excesso. Lida melhor com a realidade do que com o imaginário. É mais objetiva do que romântica, por isso os contos de fadas, com excessivas fantasias a aborrece e a deixa confusa.

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